segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

PAWLO CIDADE, "MULTIMÍDIA"

Pawlo Cidade no lançamento do livro "Como transformar a cultura em um bom negócio"

Em agosto de 2000, ao receber o Prêmio Jorge Amado de Cultura e Arte, o apresentador chamou ao palco o "irrequieto, criativo e multimídia" Pawlo Cidade. Irrequieto e criativo, tudo certo. Multimídia, foi mais que elogio. Mas o fato é que PC sempre esteve à frente de vários projetos culturais assumindo a função, ora de produtor, ora de diretor, ora de ator, ora de autor ou tudo ao mesmo tempo. Daí o "multimídia", ou seja, a capacidade de atuar, com esmero e criatividade em vários campos artístico-culturais. 

Pawlo Cidade é ilheense, pedagogo, especialista em Educação Ambiental, diretor e autor de teatro, com mais de 30 espetáculos montados. Dentre eles, destaque para "Cangaço", "Capitães do Morro", "O Mímico" e "Partida". É autor de 13 livros, entre eles "A Casa de Santinha", "Mistério na Lama Negra", "O Tesouro Perdido das Terras do Sem Fim", "O Santo de Mármore", "O Caminho de Volta", "Como Transformar a Cultura em um bom Negócio".

Pawlo Cidade discurssando na posse dos conselheiros estaduais de cultura, novembro/2014

Fez estudos aprofundados em Gestão e Projetos Culturais, pela Fundação Getúlio Vargas, em parceria com o Ministério da Cultura, entre os anos de 2009 a 2012. Foi Coordenador Cultural e Diretor da Divisão Cultural da Fundação Cultural de Ilhéus, 2008 a 2012; Presidente do Fórum de Agentes e Empreendedores Culturais do Litoral Sul; presidente do Colegiado Setorial de Teatro da Bahia; presidente do Conselho Municipal de Cultura de Ilhéus; membro da Academia de Letras de Ilhéus, ocupando a cadeira nº 13, que antes pertencera à Zélia Gattai e Jorge Amado; foi professor de Produção Cultural e Sistemas Municipais de Cultura do Curso de Gestão Cultural da Universidade Estadual de Santa Cruz; atualmente é membro do Conselho Estadual de Cultura da Bahia, eleito na V Conferência Estadual de Cultura da Bahia, em Camaçari, para o quadriênio de 2015-2018; mais informações no blog pessoal: www.pawlocidade.blogspot.com   

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

OS PRESIDENTES DA FUNDAÇÃO CULTURAL DE ILHÉUS


Raymundo Sá Barreto, à direita, também foi presidente da Fundação Cultural

Tudo começou com o teatrólogo Pedro Matos, conhecido carinhosamente por Pedrinho Matos que já liderava  o movimento cultural da cidade, criando a  SOCIEDADE DE ARTE E CULTURA DE ILHÉUS - SACI. Tempos depois através da Lei Municipal nº 1.183 de 16 de maio de 1978 o então Prefeito Antonio Olimpio Rhem da Silva, sancionou a referida Lei instituindo a Casa da Cultura de Ilhéus, com objetivo de incentivar, desenvolver e dinamizar  os modelos de cultura em todos os seus aspectos, cooperando para a defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico do Município. 

O Prefeito Jabes Ribeiro por sua vez em seu primeiro mandato, sancionou a Lei Municipal  nº 2.221 de 21 de setembro de 1986 alterando dispositivos da Lei nº 1.183 para transformar a Casa de Cultura de Ilhéus passando denominar-se Fundação Cultural de Ilhéus. Daí começou a arrancada do crescimento cultural da cidade com a nomeação do primeiro Presidente  Nestor Amazonas, que com sua experiência administrativa e cultural soube conduzir os trabalhos de implantação da Instituição. Em seguida fora nomeado o Dr. Acioli Cruz Moreira que promoveu inumeros eventos culturais, além de ter participado da inauguração  do Teatro Municipal e da criação do espaço cultural do Circo Gabriela. Nessa oportunidade o então Prefeito Jabes Ribeiro, conseguiu junto ao ex- Governador do Estado da Bahia Dr. Waldir Pires a doação em definitivo da Casa de Cultura Jorge Amado. O próximo Presidente foi a professora Carminha Cardozo  a qual criou o Projeto Seis e Meia e promoveu vários concursos de: Fotografias, Literatura, Poesia e  Escola de teatro para formação de platéia. 

O quarto Presidente foi o tabelião Raimundo Pacheco Sá Barretto, criou o Projeto Maio – Mês da Dança, trazendo espetáculos de dança com a participação de Ana Botafogo e peça teatral com a atriz de renome nacional Lucélia Santos. Formalizou também o convênio de restauração da Casa de Cultura Jorge Amado junto a Petrobras. O quinto Presidente foi Hélio Pólvora que deu seguimento as atividades já existentes, criando o Projeto Semana Jorge Amado de Arte e Cultura, inaugurou a Casa de Cultura Jorge Amado com a presença do escritor Jorge Amado e familiares. Tendo solicitado sua exoneração por motivos particulares Hélio Pólvora foi substituído por Maria Luiza Heiner (Professora e Pesquisadora), que ampliou o leque cultural da cidade com realizações de eventos culturais: Projeto Águia da Cultura , Concurso de Quadrilhas Juninas e  Semana Jorge Amado. Nessa oportunidade foi inaugurado o Centro Cultural de Olivença. 

A  Presidente seguinte foi Simone Reis com breve passagem no cargo, sendo  substituída pelo  Professor Arléo Barbosa que promoveu a divulgação da cultura da cidade. Em seguida foi nomeada a Professora Eugênia Siqueira da Fonseca que     promoveu o inicio da reforma de manutenção e conservação do Teatro Municipal, criou os Projetos Fim e Tarde, Fascinarte,  Gospel de Musicas,  Dança no Foyer e Forró na Praça e oficinas culturais.  O atual Presidente é o Publicitário Mauricio Corso, que tem procurado difundir a cultura com realizações de:  Conferencias de Cultura Municipal, Territorial e Estadual; Criação do Fundo Municipal de Cultura, Aprovação do Projeto de Lei que institui o “Dia de Jorge Amado”, Projeto Caravana Cultural,  Reforma e restauração  do Teatro Municipal, Realizações de  eventos com a participação do Ballet Castro Alves e Orquestra Sinfônica da Bahia; Projetos de Musica, Teatro, Capoeira e Dança; Oficinas Artísticas:  Pintura em tecido, pintura em tela, arte e papel, desenho, violão, restauração de imagens sacro,  canto coral, bateria, teatro infantil e teatro avançado;  Realizações de Seminários, Palestras, Conferencias, Lançamento de Livros, Amostras. Apoio aos Projetos Rock Poesia, Virada Cultural, Festival de Cinema Baiano e Encontro Proler e recentemente a realização do Centenário Jorge Amado, com  participações da família Amado, atores Globais e os cantores   Caetano Veloso, Família Cayme, Moraes Moreira e Magareth Meneses.

Gostaria de registrar os nomes de diversas personalidades que   deram sua contribuição para o desenvolvimento da cultura do Município. Destacamos Pawlo Cidade (ator e diretor), Bruno Susmaga (ex-diretor TMI), Mauricio Pinheiro (ex-diretor TMI), Paulo Rosário (Iluminador Cênico), Equio Reis(f)( (ator), Jenilton Barbosa (bilheteiro), Jeane Cardoso (Diretora Financeira- Fundaci),  Zezito Faustino (Cenotécnico) , Ana Claudia Daneu (Gerente da Casa Jorge Amado), Aurita Freitas (Supervisora Casa Jorge Amado), Fabiola Mandarini (ex-diretora TMI), Maria José Rodrigues (Zeze) (Folclorista), Luciano Cana Brava (ex-diretor TMI, Flávia Menezes (Recepcionista), Adroaldo Anjos (músico), Walter Barauna (Contra Regra do Circo Folias da Gabriela)Adriana Castro (Ex-Assessora Cultural) Lindaura Kruschewsky (ex-diretora Casa Jorge Amado), Ivan Gomes (ex-diretor financeiro) Adriana Ribeiro (Colaboradora da Cultura Ilheense) , Elvia Magalhães (Coordenadora de Eventos) , Geny (Assistente de Direção), Dú (Iluminador Cênico) , Raimundo Cunha (Controlador Interno), Edmilson Moura (Recursos Humanos) Maria Antonia, Maria do Carmo, Chico e Maria da Paixão (Serviços Gerais)  Virginia Mendonça (Coordenadora Centro Cultural de Olivença),  José Delmo (Ator) e todo(a)s o(a)s cantores, atores, atrizes, dançarina(o)s e  músicos que realmente fazem o espetáculo.

Vale salientar que o Tribunal de Contas dos Municípios   aprovou todas as contas de todos os Presidentes que exerceram o cargo na Fundação Cultural de Ilhéus.

Este texto foi enviado pelo colaborador e bacharel em Direito, Luiz Moreira Castro. Tomei a liberdade de mudar o título, pois recai melhor para o blog.

A FUNDAÇÃO CULTURAL DE ILHÉUS FOI EXTINTA, ATRAVÉS DE LEI PRÓPRIA, EM ABRIL DE 2013. A PARTIR DE ENTÃO SURGIU A SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE ILHÉUS.

terça-feira, 22 de maio de 2012

BENS TOMBADOS EM ILHÉUS


Capela de Santana, a única tombada pelo IPHAN

BENS TOMBADOS E REGISTRADOS PELO
IPAC, IPHAN E O MUNICÍPIO DE ILHÉUS ATÉ MAIO DE 2012

IPHAN

Capela do Rio do Engenho de Santana – Processo nº 687-T-62

IPAC
Igreja de Nossa Senhora de Escada – 015/79
Capela do Engenho de Sant´Ana – Decreto nº 30.483 de 10/05/1984
Igreja Matriz de São Jorge dos Ilhéus – 001/85

BENS TOMBADOS PELO MUNICÍPIO DE ILHÉUS

Lei nº 2.314 de 03/08/1989 – Institui o tombamento de bens situados no Município de Ilhéus e dá outras providências;

Lei Municipal nº 2.312, de 01/08/1989 – Institui o Centro Histórico da Cidade de Ilhéus
Bens tombados isoladamente:

Palácio Paranaguá – Decreto 034/91
Casa Jorge Amado e União Protetora dos Artistas e Operários – Decreto 026/93
Bens tombados coletivamente:
Rua Antônio Lavigne de Lemos e seus respectivos imóveis, sito nos números: 11, 19, 27,44, 47, 62, 93, 111, 127, 145, Antigo Museu do Cacau (Atual escola Status), Loja Maçônica Regional Sul Bahiana;
Rua Conselheiro Dantas, imóveis sito aos números 10, 43, 77, 81;
Rua Rodolfo Vieira, imóveis sito aos números 16, 24, Armarinho Danúbio, Loja Chapeuzinho Vermelho, Clínica Dom Eduardo;
Rua General Câmara, imóveis sito ao Edifício Paulo Costa;
Rua Prado Valadares, imóvel com esquina da Rua Prado Valadares, atual Lanchonete Berimbau;
Avenida Dois de Julho, imóveis sito aos números 59, 140, 785, 987, 995, 1013, 1027, 1059, Pizzaria Maria Machadão, s/nº, Bataclan,
Rua Eustáquio Bastos, antigo Ilhéus Hotel;
Rua Almirante Barroso, Sindicato Rural de Ilhéus;
Rua Ramiro Castro, s/n, Palacête Ramiro Castro, atual Colégio Impacto;
O Calçadão Marquês de Paranaguá, imóveis sito aos números 87, Casa Brasil, Farmácia Cabral;
     Rua Sá Oliveira, imóveis sito aos números 186, 190;
     Praça Ruy Barbosa, imóveis sito aos números 138, 146;
     Rua Dom Pedro II, imóveis sito aos números 6, 34, 116;
     Praça J. J. Seabra, Prédio da Associação Comercial de Ilhéus; Palácio Paranaguá;
     Rua Santos Dumont, imóveis sito aos números 51, 67;
   Rua Jorge Amado, imóveis Teatro Municipal de Ilhéus, Casa Jorge Amado, Casa dos Artistas, sito também os números 64, 68, 88, 107, 117, 126;
    Rua Manoel Vitorino, imóveis sito aos números 33 (Colégio Status), 21, 34, 82, 86, 95, 127, 160, 189.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

GIL RODRIGUES DOS ÍNDIOS



Ele é conhecido como "o artista dos índios", pois, retrata de forma quase visceral, os índios tupinambás e outra etnias. Seu nome é Gildasio Rodriguez, nascido na cidade de Alagoinhas.    Gil, como é carinhosamente chamado, se considera um autodidata. Começou a desenhar aos oito anos de idade, personagens de quadrinhos, desenvolveu gosto pela arte na adolescência pintando temas como paisagens, animais, personagens da história do Brasil, negros e índios, participando de vários cursos de pintura, inclusive com o professor de artes plásticas de Salvador Edson Calmom.


Desenvolveu um estilo próprio com uma temática indígena procurando retratar um pouco da cultura do nosso país, tendo vários de seus trabalhos vendidos a países da Europa onde participou de  exposições. Entre elas: EXPOSIÇÃO COLETIVA DE PINTURAS (TRAJECTOS) ALENQUER, ENCONTROS NAS ARTES(GALERIA DE OURÉM) Junto ao castelo de Ourém e TALENTOS DO BRASIL (PALÁCIO DA INDEPENDÊCIA DE LISBOA) e BRASIL COFFEE HOUSE (NOVA YORK).


Também expôs no 4º SALÃO DE ARTES DA BAHIA, TEATRO MUNICIPAL DE ILHEUS, CASA DOS ARTISTAS, ACADEMIA DE LETRAS, SALÃO DO AEROPORTO, CINE ITACARÉ, HOTEL EDÉM VILLAGE e BATACLAN.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ONDE NASCEU JORGE AMADO?

Encarregado de preencher as “fichas” da Academia de Letras de Ilhéus criada em 1958, o seu primeiro secretário, jovem advogado Francolino Neto, aguardou quatro anos para, pessoalmente, colher os dados do acadêmico Jorge Amado. De caneta em punho e após preencher o nome, endereço e filiação do romancista, à época já famoso, fez a pergunta: “Local de nascimento?”. “Pergunte ao meu pai…” - se esquivou Jorge Amado. Na sua carteira de identidade constava a cidade de Itabuna como local do nascimento, mas no fundo ele sabia que havia uma polêmica tanto familiar como “de ordem pública”. Francolino Neto não se fez de rogado e foi até Itajuípe para se encontrar com o fazendeiro João Amado, pai do escritor. O Coronel João não vinha a Ilhéus há muito tempo, pois tinha pavor a vergalho de boi… Diziam as más línguas que o coronel se engraçou com uma mulher casada e acabou tomando uma surra de vergalho de boi. Mas voltemos ao encontro de Dr. Francolino com o Coronel João Amado. Encontraram-se na firma compradora de cacau Wildberg & Cia. e o secretário da Academia foi direto ao assunto. O Coronel  João Amado disse então a Francolino: “Jorge nasceu na Fazenda Auricídia que ficava na zona do Repartimento no limite entre os municípios de Itabuna e Itajuípe.”

A maior parte da fazenda pertencia em 1912, ano do nascimento de Jorge, a Itabuna, antiga Tabocas que em 1910 tinha se emancipado de Ilhéus. Mais precisamente no distrito de Ferradas, na época próspero entroncamento de tropeiros. A outra parte da fazenda pertencia ao 7º Distrito de Ilhéus, denominado de Pirangí, mais tarde emancipado e que originou o município de Itajuípe. Dr. Francolino, rápido no raciocínio fez então a pergunta fatal. “E de que lado ficava a sede da fazenda?” João Amado não titubeou: “Ficava em Pirangí”. Francolino deu uma risadinha marota e tascou na “ficha” de Jorge Amado – Local de Nascimento: Ilhéus, Bahia, Brasil. A Lei 807 de 28 de julho de 1910, que criou o município de Itabuna, sancionada pelo então governador Araújo Pinho, não era muito precisa nas indicações dos limites territoriais, principalmente quando não existiam rios ou ribeirões para delimitação com maior precisão.

Naquela ocasião a linha demarcatória “seca” como era chamada, causava muitos desencontros, e até mesmo nos limites de Ilhéus, o município mãe, com Itabuna, as dúvidas persistiram. Na Fazenda Auricídia passava um ribeirão denominado de Limoeiro, mas segundo as informações ele não servia de limite territorial. Em 1952, portanto 40 anos após o nascimento de Jorge Amado, o Distrito de Pirangí foi desmembrado de Ilhéus, passando a denominar-se de Itajuípe e em seu território foi criado o Distrito de Limoeiro, onde ficava a zona do Repartimento. Região de terras nobres para o cultivo do cacau, Limoeiro logo se expandiu e em 1962 de desmembrou de Itajuípe sob a denominação de Barro Preto. Hoje, Barro Preto de chama “Governador Lomanto Júnior”, nome por sinal de péssimo gosto, sem querer entrar no mérito dos méritos do homenageado. A sede da Fazenda Auricídia situava-se, portanto, em território que hoje pertence ao município de Lomanto Júnior.

Como se pode verificar, a polêmica está armada. Na Certidão de Nascimento de Jorge Amado consta que ele é itabunense. O velho João Amado disse que ele nasceu em Pirangí, que então pertencia a Ilhéus. As emancipações posteriores colocaram a sede da Fazenda Auricídia no território de Barro Preto, hoje Lomanto Júnior. Itabuna, Ferradas, Ilhéus, Pirangí, Itajuípe, Limoeiro, Barro Preto e Governador Lomanto Júnior. Cidades, distritos, vilas, denominações velhas e novas. Jorge Amado lá de cima deve estar dando grandes gargalhadas. De minha parte, quando vereador, resolvi propor o título de Cidadão Ilheense ao nosso escritor. Quem registra é dono, e Itabuna registrou Jorge Amado, mas nós, ilheenses, estamos na posse mansa e pacífica, que às vezes vale mais do que papel registrado em cartório. Mas de certo não é necessária tanta polêmica. Jorge não é itabunense, nem ilheense, nem itajuipense e nem lomantense (?). Jorge é grapiúna e Cidadão do Mundo. 

Artigo publicado originalmente em março de 2003 nos jornais Agora e Diário de Ilhéus. Contato com o autor ialbagli@uol.com.br

sábado, 4 de fevereiro de 2012

CURIOSIDADES DAS TERRAS DO SEM FIM

Você sabia que...


Ilhéus já teve, desde sua elevação à cidade, 21 prefeitos e 18 intendentes? 

O nome Ilhéus originou-se por causa das pequenas ilhas em frente a Avenida Soares Lopes?

A Catedral São Sebastião levou 36 anos para ser concluída?

Que as margens do Rio do Engenho ocorreu a primeira greve trabalhista promovida por escravos, em 1789, e ela durou dois anos?

O Ilhéus Hotel possuiu o primeiro elevador da Bahia e que já funcionou como Cassino e palco de apresentações de espetáculos de teatro e dança que vinham da Europa?

Que a Rua Antonio Lavigne de Lemos (onde fica a Academia de Letras de Ilhéus) foi a primeira a ser pavimentada do município? E que seus paralelos vieram da Inglaterra? Daí o título de Rua dos Tijolos Ingleses?
Quero contar a história dos artistas desta terra. Mandem seus currículos, fotos pessoais e de trabalho.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

HORIZONTINA CONCEIÇÃO

Horizontina Conceição
Algumas escolas de nossa cidade foram batizadas com o nome de personalidades que realizaram diversas atividades culturais em Ilhéus. Uma delas é a da saudosa professora Horizontina Conceição.
Conversando com o nobre pesquisador de nossa gente, Alfredo Amorim, ele me enviou este texto que descreve um pouco desta educadora que teve seu nome imortalizado na Escola Estadual Horizontina Conceição, que funciona no bairro Hernani Sá e na Biblioteca do Colégio Nossa Senhora da Vitória, no bairro da Conquista.
A professora Horizontina Conceição nasceu no dia 8 de abril de 1909, na cidade de Maraú, Estado da Bahia, filha de Albertino Cruz, agricultor, e Sebastiana Conceição, doméstica; tinha dois irmãos, Agenor e Agesilau. Horizontina morou em Maraú até os 10 anos de idade até vir para Ilhéus para estudar.
            Formou-se em magistério na Escola Normal da Piedade, em 1928, junto com Alina Silva e Alina Carvalho. Ensinou pela primeira vez no Instituto Nossa Senhora da Piedade, lecionando Geografia e Ciências entre 1929 e 1951.
Anos depois foi convidada a dirigir o Instituto São Sebastião, de 1949 a 1953, Escola Afonso de Carvalho de 1953 a 1968, Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne (IME) de 1941 a 1971 e Escola Regina Coeli de 1968 a 1980.
            Em reconhecimento ao seu trabalho foi outorgado pela Câmara Municipal de Ilhéus o Título de Cidadã Ilheense, Medalha do Mérito Legislativo e Diploma da Comenda do Mérito Legislativo de Ilhéus. Também recebeu o Certificado de Reconhecimento do Ministério da Fazenda pela colaboração prestada ao Programa Contribuintes do Futuro, placa de prata “Leão de Ouro” oferecida pelo Lyons Clube de Ilhéus.
Aposentou-se em 30 de novembro de 1971.
Publicou dois livros, um para a Escola Castro Alves e outro com o professor Arléo Barbosa. Católica, comemorou seus 60 anos de magistério no Instituto Nossa Senhora da Piedade.
Faleceu no dia 25 de agosto de 1991 no Hospital São José após uma isquemia cerebral. Seu corpo foi sepultado no Cemitério da Vitória.

Colaboração: Alfredo Amorim, Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

PEDRO MATTOS, o irreverente

     Pedro Mattos (1944-2002)
                No ano de 1944, exatamente no dia 18 de setembro, nascia, na Rua Carneiro da Rocha 55, em Ilhéus, Pedro Augusto Vital Mattos, ou seja, no mundo artístico Pedro Mattos, e para seus amigos Pedrinho, que era o terceiro filho do casal Carlos Frederico Monteiro de Mattos e Aurora Vital Mattos, que também tinham mais dois filhos: Luciano Carlos e Lúcia Maria. Estudou no Instituto Municipal de Educação, IME, onde concluiu o curso ginasial, fez o científico no Colégio Manuel Devoto em Salvador e o clássico no Severino Vieira. Frequentava como ouvinte as aulas de teatro na Escola de Teatro, no bairro do Canela. Estimulado pelo teatrólogo Alberto D’Aversa foi estudar teatro em São Paulo onde fez o Curso Livre de Teatro na Faculdade de Comunicação Social Anhembi, em 1973, onde fundou o Grupo de Teatro Anhagá e dava aulas de arte dramática. No mesmo ano fez o Curso de Criatividade promovido pela ECA/USP. Em 1974 o curso de Publicidade e Teatro na Escola Superior de Propaganda e Marketing, e Teatro do Oprimido na Faculdade Álvares Penteado. Em 1976 Curso de Dinâmica Infanto-Juvenil, promovido pelo Instituto de Educação Integral, e curso de Mímica com Ricardo Bandeira em 1977, em 1978 “Dinâmica do Ser” pelo Instituto de Educação Integral e USP. Todos estes quando morava em São Paulo, onde além de teatro, fazia também cinema e televisão.
            
  Ana Virgínia Santiado e Pedro Mattos
             Voltando a morar em Ilhéus fez o Projeto Chapéu de Palha ministrado pela atriz Jurema Penna; curso de “Direção Teatral”, com Antônia Adorno e o Curso de Comunicação e Arte, na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Também fez o curso de “Relações Humanas”, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1972.
            Na Escola de Música e Artes Cênicas de Belo Horizonte fez o curso, “O Canto no Teatro”, em 1980.
            Durante dois anos, 1974 – 1976, participou de várias atividades como ator, participou da peça “Palhaços” de Timochenco Wehbi, produzida pela Temporal Produções Artísticas, com a direção de Fausto Fuser, percorrendo todo o Brasil numa campanha promovida pelo SNT – Serviço Nacional de Teatro. Em 1979 “A Cantora Careca”, de Ionesco, com produção da Faculdade de Comunicação Anhembi; “Som Lixo Luxo ou Transa Nossa”, criação coletiva apresentada na Sala de Bolso do Teatro Ruth Escobar, em 1970; “Barela”, de Plínio Marcos, produção da faculdade de Comunicação Anhembi em 1970; “A Morta”, de Oswald de Andrade, um estudo coordenado por Miriam Muniz, em 1976; “Um pedido de casamento” e “O Urso”, ambos de Anton Tchekhov, com produção do grupo Anhangá; “Daniel, Capanga de Deus”, filme de João Batista Reimão Neto, com Regina Duarte e Arduino Colassanti, em 1976/77; “O Balão da Alegria”, infantil, de Fausto Fuser e Sérgio Sá, em 1978/79.
            Em 1979, por problemas de um câncer na garganta, retornou a Ilhéus onde desenvolveu muitos trabalhos no teatro amador, como também em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e por ai a fora.
            
             Pedro Mattos com a galera do Surf

              Em Ilhéus participou de várias atividades: “A Bruxinha Que Era Boa”, de Maria Clara Machado, direção de Eliane Sabóia, em 1960 e em 2000; “Essa agora, Mister Esso”, no Teatro Popular de Ilhéus, em 1961/62; ”Zé da Silva, homem livre?”, também pelo Teatro Popular de Ilhéus, em 1963/64; “Enfim Sós”, comédia de Daniel Rocha, direção de Antonieta Bispo, apresentada no Clube Cruz Vermelha em Salvador, em 1965; “O Boi e o Burro a Caminho de Belém”, de Maria Clara Machado, com direção de Équio Reis, nas escadarias da Catedral em 2000; “Paixão de Cristo”, no papel de Herodes, com direção de Équio Reis, no Estádio Municipal de Itabuna, em 1986.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

IGREJA NOSSA SENHORA DA VITÓRIA


Igreja Nossa Senhora da Vitória/Foto: César dos Santos Passos

Os índios confessaram que foram vencidos por uma forte e formosa Mulher Branca, montada em um cavalo.

                Depois da “Batalha dos Nadadores”, guerra travada por Mem de Sá contra os índios tupis na região do rio Cururupe, em 1560, dirigiu-se este a vila de São Jorge, indo diretamente a uma capela situada ou pé do morro, no fim da Rua São Bento, dedicada a Nossa Senhora das Neves rendendo-lhe graças em público, pela vitória que lhe proporcionara.
                Seis anos depois da batalha dos nadadores, outra guerra, desta vez contra os índios aimorés que estavam devastando a zona rural e destruindo os engenhos, se travou na Capitania de São Jorge dos Ilhéus. Novamente o povo da vila juntou-se e foi de encontro aos aimorés, aniquilando muitos e fazendo muitos prisioneiros. Também foi atribuída esta vitória à mesma Nossa Senhora das Neves, titular da capela ao pé do morro no fim da rua chamada São Bento.
                Achando-se a capela danificada resolveram os fieis, por devoção, construir uma nova, nas no alto do morro, concluída a construção, em homenagem às vitórias almejadas, deram-lhe o nome de Nossa Senhora da Vitória, substituindo-a pelo das Neves. Conta-se que os índios confessaram que foram vencidos por uma forte e formosa Mulher Branca, montada em um cavalo.
                No ano de 1595 chegou às costas da capitania de São Jorge poderosa armada de piratas franceses, os moradores amedrontados fugiram para o mato, sedo que um deles, Cristovam Braz Leal, reuniu seus amigos na Igreja de Nossa Senhora da Vitória, de onde resolveram combater os piratas. Elegeram o cafuzo Antônio Fernandes, que ficou conhecido por Cutucadas, para ser o comandante da resistência. Novamente conseguiram os moradores expulsar da vila os seus invasores.
                Mais uma vez, no ano de 1637, foi Ilhéus invadida pelo General Jan Corneliszoon Lichthardt, holandês, com dezoito navios, sendo que desta vez os moradores da vila já sabiam da investida dos holandeses, conseguindo rechaçá-los atribuindo também esta conquista a Nossa Senhora da Vitória.
                No ano de 1680 estando à imagem de Nossa Senhora danificada, um morador da cidade, Manoel da Costa, encomendou uma nova imagem em Lisboa, chegando esta imagem danificada. Outro devoto, Manoel Dias Filgueiras, tendo fabricado uma nau em Ilhéus, ao sair do estaleiro escapou de um naufrágio na barra da vila, reconhecendo ele ter escapado do naufrágio por causa da invocação a Nossa Senhora da Vitória, mandou a imagem de volta a Portugal, voltando esta com toda a perfeição, ficando desde então tida como milagrosa.
                Em 1850 foi transferido para a igreja da Vitória o cemitério da cidade, que funcionava na capela de São Sebastião, sendo suas obras concluídas em 1913 na administração do Cel. Antônio Pessoa.
                Em agosto de 1887 a igreja foi totalmente destruída por um incêndio, sendo destruídas todas as imagens, inclusive a vinda de Portugal em 1680.
                Tempos depois foi reconstruída pelo Comendador Domingos Fernandes da Silva, devoto de Nossa Senhora da Vitória, em estilo ogival, com campanário, três altares com colunas douradas. Sacrário, castiçais e estantes de prata. Pinturas ornavam-lhe o teto e as paredes. Com perfeito simulacro do Orago, esculpido por Antônio Machado Peçanha, sendo de enorme valor sua coroa e seu manto. Foi gasto nessa reforma trinta contos de réis.
                Todos os anos, no dia da Ascensão de Nossa Senhora, era celebrada a missa festiva por iniciativa da devota Maria Benta, por sua morte em 1883 passou este evento a ser promovido pela iniciativa do Comendador Domingos Fernandes da Silva.
                Reza a crônica da terra que, em tempos passados teria sido encontrado, no lugar denominado “prainhas”, nesta cidade, um caixão hermeticamente fechado contendo uma imagem cujo corpo estava totalmente destruído, permanecendo intacta somente a cabeça. Esta cabeça, a única parte que restava da primitiva imagem, inexplicavelmente apareceu nas matas da colina que se ergue próxima à cidade e que hoje tem o nome de Alto da Vitória, quando deveria estar, após o seu achado, nas “prainhas”, bem guardada em mãos da pessoa que a havia encontrado.

                Dai fez nascer a crença de que a Santa estava indicando o local onde queria ser cultuada. E, por isso, ficou acertada a construção do templo, onde deveria ser instalada a imagem, que imediatamente foi encomendada em Portugal, servindo de cópia a imagem que foi achada nas “prainhas”.
                Em 1946 por encomenda do padre Euclides Costa, Capelão da Igreja da Vitória, chegou de São Paulo, doado pelos fieis, devotos de N. S. da Vitória, o novo sino da Igreja que foi inaugurado no dia da festa de Cristo Rei.
                 Nossa Senhora da Vitória é originalmente a Padroeira do bairro da Conquista.
                Segundo J. Sabino Moreira não há nenhum fundamento ao culto a Nossa Senhora das Vitórias, a devoção é, e sempre será, a Nossa Senhora da Vitória que é a dos ilheenses por tradição histórica.
              A última reforma feita começou em 1972 e foi concluída em 1974 em estilo colonial simples do recôncavo baiano, tiraram a escada em frente, fizeram uma sacristia, o altar foi substituído por nichos. Jerônimo Francisco Ferreira doou os bancos, o órgão e mais coisas; Dede Mendes doou o dinheiro para a restauração do sino; Doralice Pinto a mesa de celebração em mármore; Antonieta Araujo os anjos que adoram os pés de Nossa Senhora.  Os túmulos do piso foram retirados. A Restauração foi comandada pelo arquiteto Luiz Osório Amorim de Carvalho e a administração pelas senhoras Mª Catarina Lavigne de Lemos (Catita) e Cremilda Maltez de Souza Bastos, esposa de Edgard de Souza Bastos, desta maneira se fez com que a Igreja voltasse ao seu estilo original, pois na reconstrução feita pelo Comendador Domingos Fernandes da Silva o seu estilo havia sido modificado.

Colaboração e Pesquisa:

Alfredo Amorim.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus
               

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

NÔ OLIVEIRA, o mestre da cerâmica

Se perguntarem a você quem é Claudionor Oliveira da Gama Filho, ninguém vai saber responder. Mas, se disserem você conhece Nô Oliveira? Quem? O artista plástico? O homem que faz milagre com cerâmica? Muitos saberão dizer ou identificar.

Nô nasceu em Ilhéus. Seu mestre foi Guilherme Thorbila, na Casa dos Artistas, no início dos anos 90. Além de artesão e músico, participou das gravações da novela Renascer, como dublê do ator Jackson Costa, da Rede Globo, em 1993; Esteve também no Boi Mega de Artes Plásticas na Ilha de Boi Peba, em Valença; no Salão Brasileiro de Artes Plásticas, em Vitória da Conquista, nos anos de 1994 e 1995.


Sua primeira exposição profissional se deu na Galeria do Teatro Municipal de Ilhéus; anos depois ajudou a celebrar o Portal das Artes e dirigiu outras exposições. Sua técnica perpassa pelo "auto-relevo decorativo", usando materiais como argila, cimento e ferro. Em 1995, confeccionou a estátua de Yemanjá, para a gruta do Morro de Pernambuco; fez também outra escultura, desta vez com seis metros de altura, na praia de Batuba, em Olivença; já retratou personalidades como Jorge Amado, Antonio Fagundes, Lima Duarte, John Lennon, Airton Sena e Luiz Gonzaga.

Nô Oliveira é um artista nato. Um caçador de imagens, com projetos a mil! Pretende criar um sítio com imagens gigantes, de santos e personalidades. Nô é o mestre da cerâmica.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

MESTRE RAMIRO, capoeiraman!


"Ser professor, é mais do que se dar ao trabalho de passar conhecimentos: é buscar no íntimo de cada aluno a vontade e a possibilidade de crescimento. É trazer de dentro para fora as qualidades e dons humanos". (Mestre Ramiro/Mytho Roots)

Mestre Ramiro se tornou um "Ás" da Capoeira inspirado por três mestres: um, do cinema, mestre das Artes Marciais, Bruce Lee, quando assistia as matinês do antigo Cine Brasil, na Avenida Tiradentes; os outros, da Capoeira, o Mestre Caldeiras e Mestre Antonio ao assistir as rodas de Capoeira na Feira do Malhado quando ele, Ramiro, vendia água gelada em saquinho de geladinho aos oito anos de idade.

Desejoso de aprender o gingado e a luta, levou a prática para a porta de casa onde se reunia com os capoeiristas da época: Pindoba, Cabelo, Daverdura, 43, Chico Capoeira, Aloísio de Mola, Taxeiro e Galdino, sempre buscando valorizar a capoeira dentro do meio social. "Hoje eu vejo que já não existe preconceito racial e sim social", afirma o Mestre.



Teve como Mestres: Aloisio Francisco (Mestre de Mola ou Aloísio de Mola), Mestre Polar, Mestre Kléber e Mestre Barreto. Orientado pelo Mestre Geni do grupo Zambiacongo de Salvador, participou de vários encontros regionais, estaduais, nacionais e internacionais. Foi membro da Liga Andreense de Capoeira, em Santo André, São Paulo; fez parte da formatura de Mestre Moenda com Mestre Vermelho; atuou em várias do Mercado Modelo, em Salvador, com Mestre Americano, Cacau, Índio, King Kong e Jairo.

Mestre Ramiro formou os mestres: Oleoso, Genilson Negão, Ninja, Zé Carlos, Gregório, Jamilton, Neves, Clara, Luana, André, Carlinhos e Iam; e o contra-mestre e hoje mestre Luís Martone.

Ramiro com Mestre Genilson e Mestre Barreto à Direita

Atualmente organiza o Pró-Capoeira e é parceiro do Capoeiruna, em Una, do Encontro Internacional de Capoeira Cordão de Ouro e fundador do Grupo de Capoeira Camarada Camaradinha, criado em 1985, onde também ministra aulas para crianças, jovens e adultos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

TEATRO MUNICIPAL DE ILHÉUS


79 anos de História, 25 anos de restauração!

O Teatro Municipal de Ilhéus (originalmente chamado Cine Theatro Ilhéos), foi inaugurado em dezembro de 1932.
Durante a Intendência do interventor Eusínio Lavigne, foi iniciada em 1930 a construção do “Cine Teatro Ilhéus”, na praça Luiz Vianna. As obras ficaram a cargo de Celso Valverde Martins. Em 1933, poucos meses depois de sua inauguração, o jornal local “Diário da Tarde”, noticiava:
Ilhéus está transformada numa espécie de vila artística com o número extraordinário de homens e mulheres de teatro que aqui vieram naturalmente atraídos pela fama de prosperidade desta terra.”
Com o tempo grandes encenações e artistas nacionais incluíam o Teatro em suas turnês. Em 1941 foi encenado “Deus lhe Pague, de Joracy Camargo, Aymée e Procópio Ferreira (1935), a filha Bibi, a vedete Virgínia Lane, cantores como Sílvio Caldas, Orlando Silva, conjuntos como o Bando da Lua aqui se apresentaram.
Depois dos anos áureos passou muitos anos abandonado, pertencendo a família Rehem da Silva que em 1982 doou o terreno e as ruínas do teatro à Prefeitura, na primeira gestão do prefeito Antonio Olimpio Rhem da Silva. Seu sucessor, o prefeito Jabes Ribeiro reconstruiu o interior do teatro, conservando o que restava da fachada original.
Foi reinaugurado em 1986, com a participação do Grupo Corpo de Belo Horizonte, é considerado um dos melhores teatros do norte-nordeste.
 Arte de Goca Moreno, no foyer do Teatro Municipal

CORONEL PESSOA

Conheça um pouco mais da história deste ilustre político de Ilhéus que foi homenageado com nome de rua e praça do Município.       

               Natural de Jeremoabo, Bahia, onde nasceu a 4 de setembro de 1853, filho do Ten. Cel. Guilherme Joaquim da Costa e Silva e de D. Francisca Gomes Pessoa da Costa e Silva, irmão de Marcolina Pessoa da Costa e Silva. Casou-se pela primeira vez com Valeriana Gomes Pessoa, sua prima, com quem teve os seguintes filhos: Arthur Pessoa da Costa e Silva; Alice Pessoa da Costa e Silva, casada com Alfredo Calasans de Amorim; Júlia Pessoa da Costa e Silva, Isaura Pessoa da Costa e Silva, casada com Durval Olivieri e Maria Pessoa da Costa e Silva. Ficando viúvo de Valeriana casou-se com Francisca de Queiroz Pessoa em Quixadá, Ceará, em 1887, com que teve os seguintes filhos: Astor Pessoa da Costa e Silva, Mário Pessoa da Costa e Silva e Antônio Pessoa da Costa e Silva Junior.
         Professor, promotor público, advogado (Rábula), jornalista, deputado e senador. Estudava no Seminário de São Joaquim em Salvador, quando foi obrigado a interromper seus estudos para dedicar-se ao magistério. Começou sua vida profissional em 1874 como professor em Santo Antônio da Gloria. Por concurso público obteve a provisão de advogado sendo transferido em 1879 para a Vila de Vitória, hoje Vitória da Conquista, como Promotor Público. Em 1880 foi transferido para Canavieiras para também atuar como Promotor Público. Em 1881 transferiu-se para Ilhéus onde se exonerou do cargo de Promotor Público em 1883, a promotoria havia sido pleiteada por um bacharel diplomado. Com sua exoneração foi contratado pelo município de Ilhéus para servir como advogado, cargo que exerceu de 1883 até 1887.
              Por decreto do Governo Imperial em 1884, foi nomeado para o cargo de Secretário da Comissão de Açudes e Irrigação indo trabalhar na construção do Reservatório do Cedro no Ceará até 1866 quando perdeu a sua primeira esposa e voltou para Ilhéus.
             Em 1890, seus inimigos políticos apoiados por 60 jagunços, tentaram forçá-lo a abandonar a cidade, fato que não foi concretizado pela proteção que lhe foi dada pelo Delegado de Polícia, Capitão Augusto Olívio Botelho, mandado pelo governo do estado, que expulsou os jagunços.
            De passagem por Salvador, em viagem para o Rio de Janeiro em 1897, foi detido por 24 horas suspeito de ser monarquista.
               Filia do ao Partido Liberal elegeu-se Deputado Provincial pelo 6º distrito, ao qual pertencia Ilhéus, para o biênio 1888/1889, exercendo o mandato até a proclamação da república. Foi eleito Intendente do Município de Ilhéus em 1899 para o biênio 1900/1902 pelo partido constitucionalista, com 436 votos contra 279 do Cel. Adami, tomando posse em 2 de janeiro de 1900, mas por anulação da eleição em 25 de agosto, foi obrigado a afastar-se do cargo, tomando posse em seu lugar o Cel. Ernesto de Sá Bittencourt e Câmara, que era presidente do Conselho Municipal.
                Em janeiro de 1904 os dois candidatos a intendência de Ilhéus se auto declararam eleitos, ficando o município com duas administrações, o Coronel Pessoa e o Cel. Domingos Adami de Sá, sendo que no mês de agosto o Senado Estadual reconheceu como Intendente o Cel. Domingos Adami de Sá. Outra vez candidato em 1907 perdeu a eleição para o candidato João Cavalcante Mangabeira, de quem muitos anos depois se tornou aliado.
            Eleito Deputado Estadual em 1912 tornou-se Presidente da Câmara por três anos consecutivos, quando pediu demissão. Eleito novamente intendente, em março de 1914 assumiu o governo do município até 1917. Elegeu-se Senador Estadual em 1915, sendo o Senador mais votado. Reelegeu-se seguidamente até a revolução de 1930 quando mudou o sistema político brasileiro. Nesta época, com 77 anos, encerrou sua vida pública dedicando-se somente à advocacia até 1939 quando ficou cego. Era membro do diretório do Partido Democrata do Estado desde a sua fundação e Presidente do Partido em Ilhéus. Criou em Ilhéus um grupo político que tinha a denominação de os “pessoistas”, opositor ao grupo de João Mangabeira.
              Abolicionista, denunciou quando Promotor Público em Canavieiras, os responsáveis pela morte de vários escravos o que lhe valeu o elogio publico do Presidente da Província, Conselheiro Antônio Carneiro da Rocha, o futuro Marques de Paranaguá. Também teve sua atuação como abolicionista destacada no livro de Luiz Anselmo da Fonseca “O Clero, o Povo e o Abolicionismo”.
            Foi um dos fundadores e o primeiro Provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus (Hospital São José), membro da Irmandade do Senhor dos Passos, administrador e fundador do Banco de Crédito Popular, fundador e redator dos jornais “Gazeta de Ilhéus”, “Jornal de Ilhéus” e “Correio de Ilhéus”, Presidente de honra da Filarmônica Santa Cecília.
Coronel Pessoa à direita, após as crianças

               Na sua administração foram construías nove escolas municipais, sendo uma delas o Prédio Escolar General Osório, onde hoje funciona a “Biblioteca Pública Municipal” e o “Arquivo Público Municipal”; feita a reforma do Cemitério da Vitória; criada a Guarda Municipal; instalado o chafariz comprado na Europa em sua primeira gestão (1900) e só instalado em sua segunda gestão (1925); instalada a rede de iluminação pública do Bairro da Conquista e do Pontal; contratado Francisco Borges de Barros para a publicação do livro “Memória Histórica de Ilhéus”; determinada a nomenclatura e a colocação de placas nas ruas da cidade e a colocação de número nas casas.
            Faleceu em Ilhéus no dia 9 de julho de 1942, onde seu corpo foi sepultado no Cemitério Nossa Senhora da Vitória.

Contribuição: Alfredo Amorim - Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus

sábado, 18 de junho de 2011

O FIM DO "ITACARÉ"

 Notícia de jornal da época

Ainda não eram 9 horas, mas faltava pouco. Dia 23 de agosto de 1939, quarta-feira. No Cine-Theatro Ilheos, o operador Péricles Tavares acaba de desenhar as últimas letras da tabuleta que anuncia para o domingo o filme Stella Dallas ou A Mãe Redentora. Afasta-se para um derradeiro olhar avaliador, vê que a tinta secou e sai com a tabuleta.

Assim eram anunciados os filmes - em tabuletas amarradas aos postes de iluminação. Péricles já estava na praça quando alguém, que olhava para o mar na direção do Morro de Pernambuco, solta o grito:

- O Itacaré afundou!

Péricles larga a tabuleta e firma a vista. O iate está adernado, com parte do casco à mostra, e a hélice ainda gira, gira, gira, como se estivesse a fender águas profundas. O dia está claro, não há sinais de chuva, mas venta muito. Aquele vento forte que sopra do Leste e forma na perigosa barra de Ilhéus vagalhões espumejantes.

Com certeza um deles bateu no Itacaré, o navio adernou, a carga solta correu para a outra borda - e o iate com excesso de passageiros não pode equilibrar-se. A borda havia tocado na areia do canal, que era raso. Por isso, e pelas águas às vezes agitadas, a entrada da barra exigia prático.

O prático conhecia bem as agruras da barra. Quando um navio apitava, ao largo, nas imediações da Pedra dos Ilhéus, o prático dirigia-se para o canal, num barco com dois remadores e bandeira vermelha. Cabia-lhe, agitando a bandeira, sinalizar à esquerda, ao centro e à direita.

Cada movimento desses era um aviso: venha devagar, lance âncora e aguarde bom tempo, pode entrar no canal agora mesmo. Precauções necessárias. Ali, na Praia da Concha, já haviam encalhado o cargueiro sueco Liguria e o norueguês Bencas. Todo cuidado era pouco. Será que o comandante do Itacaré havia interpretado bem o movimento da bandeira?

Da praça, e logo depois da beira-mar, Péricles acompanhou os gritos dos náufragos, as tentativas de salvamento. Houve quem quisesse romper o casco do iate a machadadas. Falou-se até em dinamitá-lo. Muitos passageiros morriam nos camarotes que a preamar ia enchendo. Pescadores queriam ajudar. O engenheiro Paulo Fontes reanimava os passageiros presos com tônicos cardíacos. A draga Bahia, com sua equipagem, participava dos esforços de salvamento. Entre os ilheenses, destacou-se Virolli, um boêmio, bom nadador. Salvou muitos e transformou-se em herói.

Péricles ainda se comove ao recordar o naufrágio. Anos depois, nos campos da Itália, como pracinha, enfrentava os horrores da guerra, a carnificina - mas alguns lances dramáticos do naufrágio do Itacaré pareciam gravados a fogo na memória. Um deles foi a morte do português Lourenço, o verdureiro que todo mundo conhecia nas ruas de Ilhéus. Era gordo, não conseguiu passar pela vigia, mesmo com o corpo lambuzado de óleo. Viu a morte chegar, passo a passo, apoderar-se dele, secar-lhe todas as fontes de vida. E antes de morrer, tomado pela doce misericórdia dos mártires, dizia:

- Salvem-se. Salvem-se. Eu não posso sair. Infelizmente sou gordo. Adeus.

Outro lance foi a chegada dos cadáveres ao necrotério improvisado na Pensão Coelho, que ficava no espaço hoje ocupado pelo Banco Itaú. Ao todo treze, dizia-se. A curiosidade popular crescia, a cidade vivendo horas de grande nervosismo. Quase todos os moradores na beira da praia, a olhar o casco do Itacaré junto do Morro de Pernambuco, ou, da praça perto do cinema, querendo saber quem tinha morrido, quem se salvara.

Com o Itacaré, naufragaram e perderam-se mais de três filmes, além do que estava programado para o domingo: Doutor Sócrates, com Paul Muni, Os Navais Desembarcaram e o seriado Flash Gordon no Planeta Mongo. Este cronista, que era menino, foi informado de que também se perdeu o último episódio do seriado O Guarda Vingador. Mas quem estava pensando em cinema? O naufrágio do Itacaré galvanizava as emoções, o naufrágio no canal da barra era real.

Sessenta anos depois, com narração de Renata Smith e edição de Rogério Santos, a TV Santa Cruz evocou o sinistro, em página de rara beleza formal. E assim, graças à sensibilidade do seu diretor Lício Fontes, veio juntar-se aos que se esforçam para trazer à tona a submersa história de Ilhéus e vizinhanças.

(Crônicas da Capitania, Hélio Pólvora, Editora Legnar, 2000, pp.110-2)

terça-feira, 7 de junho de 2011

ILHEENSE OU ILHEUENSE?

Praça Castro Alves/Acervo José Nazal

Conta o historiador Arléo Barbosa que até meados da década de vinte, dois gentílicos eram usados para o nativo de Ilhéus: ilheense e ilheuense. O termo ilheense era usado pelas pessoas cultas e o outro  era mais popular. As duas formas eram discutidas pelos estudiosos da terra sem que se chegasse a qualquer conclusão. 

Em 1924, Luiz Edmundo, pseudônimo de eficiente professor de Português, da cidade, teve a ideia de submeter a questão ao veredicto do famoso filólogo João Ribeiro. Diante da exposição de motivos apresentados pelo professor de Ilhéus, o ilustre gramático respondeu da seguinte maneira:

"Resumindo a sua longa consulta vemos que a forma ilheuense é a mais popular e a ilheense a preferida por pessoas cultas. O hiato existe em ambas as formas e o hiato não é um vício, mas simples ocorrência por vezes inevitável. O hiato só é vicioso quando propositadamente empregado, a não ser para qualquer efeito onomatopaico. O contrário seria condenar todas as vozes que contém hiatos e são inumeráveis.

De todas as formas propostas a que me parece mais razoável é a que não altera a palavra primitiva, que de si mesma é um nome gentílico. Entendendo que os ilhéus é designação  suficiente para os habitantes do lugar como os dos "bornéus" e o dos jaós ou jaús, naturais de Jaúa (hoje mais comum é Java) e os maranhões expressão antiga.

Os nomes gentílicos oferecem grande variedade de formas com sufixo: ano, ense, iço etc. No Brasil, o sufixo ista exemplifica-se em geralista (habitante dos geraes, campo ou planalto interior) e nortista, sulista (habitante do norte e do sul) expressões desconhecidas em Portugal e ali designadas como brasileirismo.

Poder-se-ia dizer de vez de Ilhéus ou ilheistas, como propriedade igual à dos nomes citados. Não aconselhamos, porém, um emprego sem uso, que ainda não foi consagrado pelo povo que é em geal, o árbitro nessas indecisões.

Nenhum dos termos apontados desmerece o apoio que receberam: ilheense e ilheuense. Eu diria Ilhéus, ou ilheista, preferentemente a primeira. Causa espécie que não tenha aparecido na sua resenha o termo-ilheano de pronúncia mais suave que ilheuense ou mesmo ilheense.

Como quer que seja, parece que o tempo dirá a última palavra nessas vacilações. Não é este o caso único a registrar entre os gentílicos locais brasileiros que são por vezes extravagantes como Matogrossense ou Riograndense do sul, que parecem já agora inevitáveis e seria tolices por embargos a essas palavras sesquipedaes análogas São Johanenses d´El Rei.

A cidade do Rio de Janeiro adotou "carioca" como gentílico local e o Estado do Rio de Janeiro o nome erudito de "fluminense" neologismos cômodos. 

O helenista Vilhena no princípio do século passado criou o termo erudito "soteropolitano" (de soterópolis), Cidade do Salvador, para os da Bahia. Os mineiros fizeram muito bem em suprimir o segundo termo do radical Minas Gerais. 

Tudo, porém, depende do uso que conseguir generalizar-se  e a que nos devemos submeter sem acoimar. Essa a verdadeira lição nas questões do vocabulário. Também esse é o momento mais propício às pessoas doutas que queiram intervir com esperança de resultado aproveitável". 
Ass. João Ribeiro.

Atualmente, o gentílico usado é ilheense. Tudo indica que as pessoas doutas conseguiram influenciar e o tempo, como diria o grande estudioso da língua portuguesa, deu a sua última palavra.

(Notícia Histórica de Ilhéus, Carlos Alberto Arléo Barbosa, pp.75-6)