quarta-feira, 3 de agosto de 2011

MESTRE RAMIRO, capoeiraman!


"Ser professor, é mais do que se dar ao trabalho de passar conhecimentos: é buscar no íntimo de cada aluno a vontade e a possibilidade de crescimento. É trazer de dentro para fora as qualidades e dons humanos". (Mestre Ramiro/Mytho Roots)

Mestre Ramiro se tornou um "Ás" da Capoeira inspirado por três mestres: um, do cinema, mestre das Artes Marciais, Bruce Lee, quando assistia as matinês do antigo Cine Brasil, na Avenida Tiradentes; os outros, da Capoeira, o Mestre Caldeiras e Mestre Antonio ao assistir as rodas de Capoeira na Feira do Malhado quando ele, Ramiro, vendia água gelada em saquinho de geladinho aos oito anos de idade.

Desejoso de aprender o gingado e a luta, levou a prática para a porta de casa onde se reunia com os capoeiristas da época: Pindoba, Cabelo, Daverdura, 43, Chico Capoeira, Aloísio de Mola, Taxeiro e Galdino, sempre buscando valorizar a capoeira dentro do meio social. "Hoje eu vejo que já não existe preconceito racial e sim social", afirma o Mestre.



Teve como Mestres: Aloisio Francisco (Mestre de Mola ou Aloísio de Mola), Mestre Polar, Mestre Kléber e Mestre Barreto. Orientado pelo Mestre Geni do grupo Zambiacongo de Salvador, participou de vários encontros regionais, estaduais, nacionais e internacionais. Foi membro da Liga Andreense de Capoeira, em Santo André, São Paulo; fez parte da formatura de Mestre Moenda com Mestre Vermelho; atuou em várias do Mercado Modelo, em Salvador, com Mestre Americano, Cacau, Índio, King Kong e Jairo.

Mestre Ramiro formou os mestres: Oleoso, Genilson Negão, Ninja, Zé Carlos, Gregório, Jamilton, Neves, Clara, Luana, André, Carlinhos e Iam.

Ramiro com Mestre Genilson e Mestre Barreto à Direita

Atualmente organiza o Pró-Capoeira e é parceiro do Capoeiruna, em Una, do Encontro Internacional de Capoeira Cordão de Ouro e fundador do Grupo de Capoeira Camarada Camaradinha, criado em 1985, onde também ministra aulas para crianças, jovens e adultos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

TEATRO MUNICIPAL DE ILHÉUS


79 anos de História, 25 anos de restauração!

O Teatro Municipal de Ilhéus (originalmente chamado Cine Theatro Ilhéos), foi inaugurado em dezembro de 1932.
Durante a Intendência do interventor Eusínio Lavigne, foi iniciada em 1930 a construção do “Cine Teatro Ilhéus”, na praça Luiz Vianna. As obras ficaram a cargo de Celso Valverde Martins. Em 1933, poucos meses depois de sua inauguração, o jornal local “Diário da Tarde”, noticiava:
Ilhéus está transformada numa espécie de vila artística com o número extraordinário de homens e mulheres de teatro que aqui vieram naturalmente atraídos pela fama de prosperidade desta terra.”
Com o tempo grandes encenações e artistas nacionais incluíam o Teatro em suas turnês. Em 1941 foi encenado “Deus lhe Pague, de Joracy Camargo, Aymée e Procópio Ferreira (1935), a filha Bibi, a vedete Virgínia Lane, cantores como Sílvio Caldas, Orlando Silva, conjuntos como o Bando da Lua aqui se apresentaram.
Depois dos anos áureos passou muitos anos abandonado, pertencendo a família Rehem da Silva que em 1982 doou o terreno e as ruínas do teatro à Prefeitura, na primeira gestão do prefeito Antonio Olimpio Rhem da Silva. Seu sucessor, o prefeito Jabes Ribeiro reconstruiu o interior do teatro, conservando o que restava da fachada original.
Foi reinaugurado em 1986, com a participação do Grupo Corpo de Belo Horizonte, é considerado um dos melhores teatros do norte-nordeste.
 Arte de Goca Moreno, no foyer do Teatro Municipal

CORONEL PESSOA

Conheça um pouco mais da história deste ilustre político de Ilhéus que foi homenageado com nome de rua e praça do Município.       

               Natural de Jeremoabo, Bahia, onde nasceu a 4 de setembro de 1853, filho do Ten. Cel. Guilherme Joaquim da Costa e Silva e de D. Francisca Gomes Pessoa da Costa e Silva, irmão de Marcolina Pessoa da Costa e Silva. Casou-se pela primeira vez com Valeriana Gomes Pessoa, sua prima, com quem teve os seguintes filhos: Arthur Pessoa da Costa e Silva; Alice Pessoa da Costa e Silva, casada com Alfredo Calasans de Amorim; Júlia Pessoa da Costa e Silva, Isaura Pessoa da Costa e Silva, casada com Durval Olivieri e Maria Pessoa da Costa e Silva. Ficando viúvo de Valeriana casou-se com Francisca de Queiroz Pessoa em Quixadá, Ceará, em 1887, com que teve os seguintes filhos: Astor Pessoa da Costa e Silva, Mário Pessoa da Costa e Silva e Antônio Pessoa da Costa e Silva Junior.
         Professor, promotor público, advogado (Rábula), jornalista, deputado e senador. Estudava no Seminário de São Joaquim em Salvador, quando foi obrigado a interromper seus estudos para dedicar-se ao magistério. Começou sua vida profissional em 1874 como professor em Santo Antônio da Gloria. Por concurso público obteve a provisão de advogado sendo transferido em 1879 para a Vila de Vitória, hoje Vitória da Conquista, como Promotor Público. Em 1880 foi transferido para Canavieiras para também atuar como Promotor Público. Em 1881 transferiu-se para Ilhéus onde se exonerou do cargo de Promotor Público em 1883, a promotoria havia sido pleiteada por um bacharel diplomado. Com sua exoneração foi contratado pelo município de Ilhéus para servir como advogado, cargo que exerceu de 1883 até 1887.
              Por decreto do Governo Imperial em 1884, foi nomeado para o cargo de Secretário da Comissão de Açudes e Irrigação indo trabalhar na construção do Reservatório do Cedro no Ceará até 1866 quando perdeu a sua primeira esposa e voltou para Ilhéus.
             Em 1890, seus inimigos políticos apoiados por 60 jagunços, tentaram forçá-lo a abandonar a cidade, fato que não foi concretizado pela proteção que lhe foi dada pelo Delegado de Polícia, Capitão Augusto Olívio Botelho, mandado pelo governo do estado, que expulsou os jagunços.
            De passagem por Salvador, em viagem para o Rio de Janeiro em 1897, foi detido por 24 horas suspeito de ser monarquista.
               Filia do ao Partido Liberal elegeu-se Deputado Provincial pelo 6º distrito, ao qual pertencia Ilhéus, para o biênio 1888/1889, exercendo o mandato até a proclamação da república. Foi eleito Intendente do Município de Ilhéus em 1899 para o biênio 1900/1902 pelo partido constitucionalista, com 436 votos contra 279 do Cel. Adami, tomando posse em 2 de janeiro de 1900, mas por anulação da eleição em 25 de agosto, foi obrigado a afastar-se do cargo, tomando posse em seu lugar o Cel. Ernesto de Sá Bittencourt e Câmara, que era presidente do Conselho Municipal.
                Em janeiro de 1904 os dois candidatos a intendência de Ilhéus se auto declararam eleitos, ficando o município com duas administrações, o Coronel Pessoa e o Cel. Domingos Adami de Sá, sendo que no mês de agosto o Senado Estadual reconheceu como Intendente o Cel. Domingos Adami de Sá. Outra vez candidato em 1907 perdeu a eleição para o candidato João Cavalcante Mangabeira, de quem muitos anos depois se tornou aliado.
            Eleito Deputado Estadual em 1912 tornou-se Presidente da Câmara por três anos consecutivos, quando pediu demissão. Eleito novamente intendente, em março de 1914 assumiu o governo do município até 1917. Elegeu-se Senador Estadual em 1915, sendo o Senador mais votado. Reelegeu-se seguidamente até a revolução de 1930 quando mudou o sistema político brasileiro. Nesta época, com 77 anos, encerrou sua vida pública dedicando-se somente à advocacia até 1939 quando ficou cego. Era membro do diretório do Partido Democrata do Estado desde a sua fundação e Presidente do Partido em Ilhéus. Criou em Ilhéus um grupo político que tinha a denominação de os “pessoistas”, opositor ao grupo de João Mangabeira.
              Abolicionista, denunciou quando Promotor Público em Canavieiras, os responsáveis pela morte de vários escravos o que lhe valeu o elogio publico do Presidente da Província, Conselheiro Antônio Carneiro da Rocha, o futuro Marques de Paranaguá. Também teve sua atuação como abolicionista destacada no livro de Luiz Anselmo da Fonseca “O Clero, o Povo e o Abolicionismo”.
            Foi um dos fundadores e o primeiro Provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus (Hospital São José), membro da Irmandade do Senhor dos Passos, administrador e fundador do Banco de Crédito Popular, fundador e redator dos jornais “Gazeta de Ilhéus”, “Jornal de Ilhéus” e “Correio de Ilhéus”, Presidente de honra da Filarmônica Santa Cecília.
Coronel Pessoa à direita, após as crianças

               Na sua administração foram construías nove escolas municipais, sendo uma delas o Prédio Escolar General Osório, onde hoje funciona a “Biblioteca Pública Municipal” e o “Arquivo Público Municipal”; feita a reforma do Cemitério da Vitória; criada a Guarda Municipal; instalado o chafariz comprado na Europa em sua primeira gestão (1900) e só instalado em sua segunda gestão (1925); instalada a rede de iluminação pública do Bairro da Conquista e do Pontal; contratado Francisco Borges de Barros para a publicação do livro “Memória Histórica de Ilhéus”; determinada a nomenclatura e a colocação de placas nas ruas da cidade e a colocação de número nas casas.
            Faleceu em Ilhéus no dia 9 de julho de 1942, onde seu corpo foi sepultado no Cemitério Nossa Senhora da Vitória.

Contribuição: Alfredo Amorim - Instituto Histórico e Geográfico de Ilhéus

sábado, 18 de junho de 2011

O FIM DO "ITACARÉ"

 Notícia de jornal da época

Ainda não eram 9 horas, mas faltava pouco. Dia 23 de agosto de 1939, quarta-feira. No Cine-Theatro Ilheos, o operador Péricles Tavares acaba de desenhar as últimas letras da tabuleta que anuncia para o domingo o filme Stella Dallas ou A Mãe Redentora. Afasta-se para um derradeiro olhar avaliador, vê que a tinta secou e sai com a tabuleta.

Assim eram anunciados os filmes - em tabuletas amarradas aos postes de iluminação. Péricles já estava na praça quando alguém, que olhava para o mar na direção do Morro de Pernambuco, solta o grito:

- O Itacaré afundou!

Péricles larga a tabuleta e firma a vista. O iate está adernado, com parte do casco à mostra, e a hélice ainda gira, gira, gira, como se estivesse a fender águas profundas. O dia está claro, não há sinais de chuva, mas venta muito. Aquele vento forte que sopra do Leste e forma na perigosa barra de Ilhéus vagalhões espumejantes.

Com certeza um deles bateu no Itacaré, o navio adernou, a carga solta correu para a outra borda - e o iate com excesso de passageiros não pode equilibrar-se. A borda havia tocado na areia do canal, que era raso. Por isso, e pelas águas às vezes agitadas, a entrada da barra exigia prático.

O prático conhecia bem as agruras da barra. Quando um navio apitava, ao largo, nas imediações da Pedra dos Ilhéus, o prático dirigia-se para o canal, num barco com dois remadores e bandeira vermelha. Cabia-lhe, agitando a bandeira, sinalizar à esquerda, ao centro e à direita.

Cada movimento desses era um aviso: venha devagar, lance âncora e aguarde bom tempo, pode entrar no canal agora mesmo. Precauções necessárias. Ali, na Praia da Concha, já haviam encalhado o cargueiro sueco Liguria e o norueguês Bencas. Todo cuidado era pouco. Será que o comandante do Itacaré havia interpretado bem o movimento da bandeira?

Da praça, e logo depois da beira-mar, Péricles acompanhou os gritos dos náufragos, as tentativas de salvamento. Houve quem quisesse romper o casco do iate a machadadas. Falou-se até em dinamitá-lo. Muitos passageiros morriam nos camarotes que a preamar ia enchendo. Pescadores queriam ajudar. O engenheiro Paulo Fontes reanimava os passageiros presos com tônicos cardíacos. A draga Bahia, com sua equipagem, participava dos esforços de salvamento. Entre os ilheenses, destacou-se Virolli, um boêmio, bom nadador. Salvou muitos e transformou-se em herói.

Péricles ainda se comove ao recordar o naufrágio. Anos depois, nos campos da Itália, como pracinha, enfrentava os horrores da guerra, a carnificina - mas alguns lances dramáticos do naufrágio do Itacaré pareciam gravados a fogo na memória. Um deles foi a morte do português Lourenço, o verdureiro que todo mundo conhecia nas ruas de Ilhéus. Era gordo, não conseguiu passar pela vigia, mesmo com o corpo lambuzado de óleo. Viu a morte chegar, passo a passo, apoderar-se dele, secar-lhe todas as fontes de vida. E antes de morrer, tomado pela doce misericórdia dos mártires, dizia:

- Salvem-se. Salvem-se. Eu não posso sair. Infelizmente sou gordo. Adeus.

Outro lance foi a chegada dos cadáveres ao necrotério improvisado na Pensão Coelho, que ficava no espaço hoje ocupado pelo Banco Itaú. Ao todo treze, dizia-se. A curiosidade popular crescia, a cidade vivendo horas de grande nervosismo. Quase todos os moradores na beira da praia, a olhar o casco do Itacaré junto do Morro de Pernambuco, ou, da praça perto do cinema, querendo saber quem tinha morrido, quem se salvara.

Com o Itacaré, naufragaram e perderam-se mais de três filmes, além do que estava programado para o domingo: Doutor Sócrates, com Paul Muni, Os Navais Desembarcaram e o seriado Flash Gordon no Planeta Mongo. Este cronista, que era menino, foi informado de que também se perdeu o último episódio do seriado O Guarda Vingador. Mas quem estava pensando em cinema? O naufrágio do Itacaré galvanizava as emoções, o naufrágio no canal da barra era real.

Sessenta anos depois, com narração de Renata Smith e edição de Rogério Santos, a TV Santa Cruz evocou o sinistro, em página de rara beleza formal. E assim, graças à sensibilidade do seu diretor Lício Fontes, veio juntar-se aos que se esforçam para trazer à tona a submersa história de Ilhéus e vizinhanças.

(Crônicas da Capitania, Hélio Pólvora, Editora Legnar, 2000, pp.110-2)

terça-feira, 7 de junho de 2011

ILHEENSE OU ILHEUENSE?

Praça Castro Alves/Acervo José Nazal

Conta o historiador Arléo Barbosa que até meados da década de vinte, dois gentílicos eram usados para o nativo de Ilhéus: ilheense e ilheuense. O termo ilheense era usado pelas pessoas cultas e o outro  era mais popular. As duas formas eram discutidas pelos estudiosos da terra sem que se chegasse a qualquer conclusão. 

Em 1924, Luiz Edmundo, pseudônimo de eficiente professor de Português, da cidade, teve a ideia de submeter a questão ao veredicto do famoso filólogo João Ribeiro. Diante da exposição de motivos apresentados pelo professor de Ilhéus, o ilustre gramático respondeu da seguinte maneira:

"Resumindo a sua longa consulta vemos que a forma ilheuense é a mais popular e a ilheense a preferida por pessoas cultas. O hiato existe em ambas as formas e o hiato não é um vício, mas simples ocorrência por vezes inevitável. O hiato só é vicioso quando propositadamente empregado, a não ser para qualquer efeito onomatopaico. O contrário seria condenar todas as vozes que contém hiatos e são inumeráveis.

De todas as formas propostas a que me parece mais razoável é a que não altera a palavra primitiva, que de si mesma é um nome gentílico. Entendendo que os ilhéus é designação  suficiente para os habitantes do lugar como os dos "bornéus" e o dos jaós ou jaús, naturais de Jaúa (hoje mais comum é Java) e os maranhões expressão antiga.

Os nomes gentílicos oferecem grande variedade de formas com sufixo: ano, ense, iço etc. No Brasil, o sufixo ista exemplifica-se em geralista (habitante dos geraes, campo ou planalto interior) e nortista, sulista (habitante do norte e do sul) expressões desconhecidas em Portugal e ali designadas como brasileirismo.

Poder-se-ia dizer de vez de Ilhéus ou ilheistas, como propriedade igual à dos nomes citados. Não aconselhamos, porém, um emprego sem uso, que ainda não foi consagrado pelo povo que é em geal, o árbitro nessas indecisões.

Nenhum dos termos apontados desmerece o apoio que receberam: ilheense e ilheuense. Eu diria Ilhéus, ou ilheista, preferentemente a primeira. Causa espécie que não tenha aparecido na sua resenha o termo-ilheano de pronúncia mais suave que ilheuense ou mesmo ilheense.

Como quer que seja, parece que o tempo dirá a última palavra nessas vacilações. Não é este o caso único a registrar entre os gentílicos locais brasileiros que são por vezes extravagantes como Matogrossense ou Riograndense do sul, que parecem já agora inevitáveis e seria tolices por embargos a essas palavras sesquipedaes análogas São Johanenses d´El Rei.

A cidade do Rio de Janeiro adotou "carioca" como gentílico local e o Estado do Rio de Janeiro o nome erudito de "fluminense" neologismos cômodos. 

O helenista Vilhena no princípio do século passado criou o termo erudito "soteropolitano" (de soterópolis), Cidade do Salvador, para os da Bahia. Os mineiros fizeram muito bem em suprimir o segundo termo do radical Minas Gerais. 

Tudo, porém, depende do uso que conseguir generalizar-se  e a que nos devemos submeter sem acoimar. Essa a verdadeira lição nas questões do vocabulário. Também esse é o momento mais propício às pessoas doutas que queiram intervir com esperança de resultado aproveitável". 
Ass. João Ribeiro.

Atualmente, o gentílico usado é ilheense. Tudo indica que as pessoas doutas conseguiram influenciar e o tempo, como diria o grande estudioso da língua portuguesa, deu a sua última palavra.

(Notícia Histórica de Ilhéus, Carlos Alberto Arléo Barbosa, pp.75-6)

terça-feira, 31 de maio de 2011

BATUKE JEJE, inovação

O grupo BATUKE JEJE foi formado no ano de 2004 pelo dançarino e coreógrafo Adson Oliveira e a dançarina e musicista Judite Lima com o objetivo de difundir e preservar a cultura afro na região através da dança e do toque do repique, atabaque, pandeiro, paulistão, caixa, marcação e berimbau.
O nome BATUKE JEJE se dá como forma de homenagem aos jejes, que são povos africanos que habitam as regiões africanas de Togo, Gana e Benim. Alguns desses povos foram trazidos ao Brasil em navios negreiros e contribuíram muito para a cultura baiana, através da culinária, toques em yorumbá e a dança afro.
Adson, à esquerda, agachado
Inicialmente, o grupo BATUKEJEJE limitava-se à realização de shows em hotéis da região. Não obstante, mediante a realidade social do bairro o qual o grupo sedia, onde crianças e adolescentes encontravam-se em situações de risco associadas ao uso de drogas, tabagismo, falta de orientação sexual e prostituição, foi ampliado o trabalho passando-se a realizar oficinas de danças e percussão a fim de dar assistência aos mesmos, e, dessa forma, um novo objetivo foi aderido.
Destarte, foi ampliado o número de componentes, o qual passou de quatro para uma média de cinqüenta e as atividades engajaram um novo enfoque: envolver-se politicamente ao serviço de uma nova causa: o trabalho sócio-cultural.
Mediante ao novo enfoque, foi ofertado às crianças e adolescentes da comunidade uma oportunidade de profissionalização no campo cultural com a formação de dançarinos e percussionistas, além da formação sócio educativa, através de estudos associados ao ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, oficinas e palestras sobre educação sexual aliado ao ingresso da família no trabalho sócio-educativo.
Atualmente, essas crianças e adolescentes atuam profissionalmente nos shows em hotéis, espaços e eventos culturais do município.

Fonte: Batuke Jeje.

domingo, 29 de maio de 2011

A PUXADA DO MASTRO EM OLIVENÇA (origem)

Puxada Mastro/Foto Mary Melgaço

No distrito de Olivença o culto a São Sebastião, que teve sua origem no início do século XVIII, é realizado com missas, promessas e em sua festa que acontece todos os anos no mês de janeiro.

A festa da Puxada do Mastro de São Sebastião possui elementos indígenas e dos folguedos populares das festas religiosas da Península Ibérica. O principal símbolo da festividade, o mastro, é utilizado pela Igreja Católica para sustentar bandeiras de santos em frente aos templos, mas também fazia parte dos rituais de consagração do espaço de sociedades arcaicas e dos ritos mágicos e brincadeiras de vários grupos indígenas brasileiros. (...)

Existia também em algumas tribos indígenas do Xingu uma competição chamada corrida das toras, na qual os índios se dividiam em dois grupos e cortavam duas árvores para a realização da corrida. Eles carregavam as toras nos ombros até a aldeia. O grupo que conseguia chegar primeiro tinha o direito de fincar o madeiro no centro da aldeia e era considerado o campeão.

A festa do Mastro de São Sebastião, em Olivença, parece ser um resquício da corrida de toras, pois o corte e a puxada da madeira até a praça da igreja possuem algumas características dessa competição. Porém, a partir do momento que o tronco chega à praça da igreja, a festa deixa de lado as características da competição e passa a ter o significado religioso, pois ele servirá para sustentar a pinta da imagem de São Sebastião. O mastro simboliza ao mesmo tempo a cristianização e a superioridade do cristianismo sobre a religião indígena. Além disso, o madeiro sagrado serve para a consagração do espaço e como eixo de comunicação com o céu.

Praça Cláudio Magalhães, palco da festa com a Igreja ao fundo

A aldeia de Olivença foi construída sobre uma pequena montanha, região mais alta e, portanto, mais perto do céu. No centro da colina foi erguida a igreja e, em frente dela, a cruz. O templo é por excelência o eixo da ligação entre os três níveis cósmicos e ao seu redor, no espaço que transcende o profano, foram construídas as habitações. A cruz, por sua vez, simboliza a tomada de posse da terra em nome de Cristo e a cristianização. E a imagem de Nossa Senhora segura uma escada, que também implica no desejo de subida em direção a Deus. Todos esses elementos demonstram a necessidade de ligação entre o céu, a terra e as regiões inferiores.(...)

Durante toda a festa, desde o corte da madeira até o momento de fincar o mastro em frente à igreja, os índios louvavam a São Sebastião fazendo orações, pedidos, promessas e agradecimentos pelas graças recebidas. Mas a louvação se fazia também pela música e dança. Além disso, retiravam a casca ou pedaços da madeira para fazer chás ou guardá-los como amuletos.

Havia também o compromisso de realizar a festa todos os anos para que São Sebastião protegesse a população. Acreditavam que se a Puxada do Mastro não fosse  realizada e se o mastro antigo e desgastado não fosse substituído, um grande mal se abateria sobre Olivença. O mal - alguma guerra ou epidemia - significaria a catástrofe, o fim da ordem e o regresso ao caos. Festejar o santo anualmente era, portanto, uma garantia da renovação do cosmo.

Fonte: A Puxada do Mastro - Transformações históricas da festa
de São Sebastião em Olivença (Ilhéus-BA), Edilece Souza Couto, pp.63-70.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

AS CORES E O TOM DE JANE

A artista em seu atelier

Uma explosão de cores. Os traços são primitivos e a fantasia se espalha. As telas de Jane Hilda são, antes de tudo, a expressão de seu espírito.  Autodidata, usa cores fortes, vibrantes, plenas e estilo figurativo. Ela garante: “Não tenho nenhum compromisso de copiar a realidade. Uso  simbolismos e aspectos surreais”.  Avalia ainda que  “a linguagem da pintura inclui: o ponto, a linha, o volume, a sombra/luz,a superfície, a cor”. Para ela, “inspiração, cores e formas são ingredientes sem os quais nenhum artista conseguiria produzir”. Jane Hilda prepara exposição para julho próximo em Terras Grapiúnas.
A trajetória de Jane Hilda tem início em 1991, pintava em preto e branco. Os trabalhos foram  incluídos  na mostra coletiva “Janelas Abertas”, na Galeria do Teatro Municipal de Ilhéus, daquele ano.   Ela garante: “a ausência da cor é, analogicamente, o mesmo que o silêncio; e o silêncio é algo muito alto, se visto dentro de uma perspectiva espiritual.  As cores, entretanto,  são como o som, como a música, invadem a alma,fazem festa no coração”.
Em 2000 pinta as primeiras telas da série “Jardim das Flores”, expostas na Casa dos Artistas de Ilhéus. Ela comenta: ”Quando começamos a pintar, vemos o mundo de uma forma diferente, olhamos as matas e enxergamos todas as matizes de verde que estão lá; todas as imagens chegam mais próximas, até os traços humanos ficam mais delineados. A percepção se aguça” .
Entre períodos de intensa atividade artística e de afazeres completamente díspares, como encarar a carreira jurídica e se tornar professora concursada da UESC, tintas, telas e inspiração ficaram guardados. Nova explosão ocorre agora, em 2011: “retomei a série Jardim das Flores. Sabia que teria de concluí-la. São flores e mais flores. As flores da minha imaginação, jardins noturnos ou diurnos, mas que agora trazem outros elementos:  a  lua,  as estrelas, o  sol, água e mata, com sua simbologia espiritual. Desta vez, retomei numa energia que sinaliza continuidade”.
Contatos com a artista podem ser feitos pelo email jhildabadaro@hotmail.com
Fonte: Paulo Mourão, Jornalista e músico.
       

sábado, 14 de maio de 2011

BLOCOS, AFOXÉS E LEVADAS: O Movimento Negro no Carnaval Ilheense

Mário Gusmão e Atanagildo, os precursores

No centenário de Ilhéus (1981) a família do Terreiro Matamba Tombenci Neto presenteia o município apresentando à população o Afoxé Leguedepá, com características sotoropolitanas, coreografado pelo professor Luís Carilo. Na mesma época nascia o primeiro Bloco Afro de Ilhéus, o Mini-Kongo, dirigido pelo professor Atanagildo.

Antenado com o movimento afro-descendente que começava a tomar corpo no cenário municipal, chega a Ilhéus o agente cultural Mário Gusmão, com vistas à profissionalização das entidades e manifestações artísticas de origem africana.

Através de Mário Gusmão surge o Grupo Axé-Odara, que por mais de uma década, representou a magia e o movimento afro em todo o interior da Bahia.

Seguindo a trajetória do Mini-Kongo, que a esta altura se solidificava, surge o Dilazenze, Rastafiry, o Zimbabwê, Leões do Reggae, Danados do Reggae, Os Malês, Raízes Negras, Embaixa Gêge Africana, Afoxé Filhos de Ogum, Zambi-Axé, Guerreiros de Zulu e a Levada da Capoeira que reúne dezenas de alunos e mestres da Capoeira coordenado pelos Mestres Ramiro e Luís Capeta todos atrelados aos movimentos socioculturais que são desenvolvidos em suas comunidades.

DILAZENZE

 
 
  
RASTAFIRY

ZIMBABWÊ
 
 
 

ZAMBI-AXÉ


 MINI-KONGO

 
 
 

 LEÕES DO REGGAE

OS MALÊS

 
 

 RAÍZES NEGRAS

LEVADA DA CAPOEIRA



AFOXÉ FILHOS DE OGUM

 
 


DANADOS DO REGGAE

EMBAIXADA GÊGE AFRICANA

GUERREIROS DE ZULU


sexta-feira, 13 de maio de 2011

EMERSON ARAÚJO, talento jovem


Emerson Silva Araújo é natural de Ilhéus Bahia, artista autodidata que desde dos 4 anos já surpreendia com seus desenhos. Com o passar dos anos e sem recursos para desaflorar sua arte, começou a desenhar escondido sobre as carteiras da escola, onde todos gostavam inclusive os professores ficavam encantados, e não apagavam os desenhos.

"Gabriela"
As mãos aguniadas com vontade de desenhar, começou a arrancar o fundo dos armários da sua casa, isso escondido da mãe, para produzir quadros e acabara destruindo todos nem o verso das portas dos armários ficavam para contar história. E assim em um estudo solitário, gostava de reproduzir tudo que via a sua frente, inclusive pegava livros de história da arte começava a reproduzir obras de grandes artistas como Miguelangelo e Leonardo DaVinci, hoje se identifica-se com o hiper-realismo, onde gosta de fazer os traços suaves e com os mínimos detalhes. Agora na atualidade produziu uma série de desenhos voltado para cultura de sua cidade que é Ilhéus a terra do romance de Jorge Amado, Gabriela cravo e canela, onde retrata de maneira singular a história contada por Jorge Amado.
"Autorretrato"
Emerson relata que seu trabalho é "Como tirar uma fotografia, quanto mais detalhes maior o encantamento das pessoas"