sábado, 14 de maio de 2011

BLOCOS, AFOXÉS E LEVADAS: O Movimento Negro no Carnaval Ilheense

Mário Gusmão e Atanagildo, os precursores

No centenário de Ilhéus (1981) a família do Terreiro Matamba Tombenci Neto presenteia o município apresentando à população o Afoxé Leguedepá, com características sotoropolitanas, coreografado pelo professor Luís Carilo. Na mesma época nascia o primeiro Bloco Afro de Ilhéus, o Mini-Kongo, dirigido pelo professor Atanagildo.

Antenado com o movimento afro-descendente que começava a tomar corpo no cenário municipal, chega a Ilhéus o agente cultural Mário Gusmão, com vistas à profissionalização das entidades e manifestações artísticas de origem africana.

Através de Mário Gusmão surge o Grupo Axé-Odara, que por mais de uma década, representou a magia e o movimento afro em todo o interior da Bahia.

Seguindo a trajetória do Mini-Kongo, que a esta altura se solidificava, surge o Dilazenze, Rastafiry, o Zimbabwê, Leões do Reggae, Danados do Reggae, Os Malês, Raízes Negras, Embaixa Gêge Africana, Afoxé Filhos de Ogum, Zambi-Axé, Guerreiros de Zulu e a Levada da Capoeira que reúne dezenas de alunos e mestres da Capoeira coordenado pelos Mestres Ramiro e Luís Capeta todos atrelados aos movimentos socioculturais que são desenvolvidos em suas comunidades.

DILAZENZE

 
 
  
RASTAFIRY

ZIMBABWÊ
 
 
 

ZAMBI-AXÉ


 MINI-KONGO

 
 
 

 LEÕES DO REGGAE

OS MALÊS

 
 

 RAÍZES NEGRAS

LEVADA DA CAPOEIRA



AFOXÉ FILHOS DE OGUM

 
 


DANADOS DO REGGAE

EMBAIXADA GÊGE AFRICANA

GUERREIROS DE ZULU


sexta-feira, 13 de maio de 2011

EMERSON ARAÚJO, talento jovem


Emerson Silva Araújo é natural de Ilhéus Bahia, artista autodidata que desde dos 4 anos já surpreendia com seus desenhos. Com o passar dos anos e sem recursos para desaflorar sua arte, começou a desenhar escondido sobre as carteiras da escola, onde todos gostavam inclusive os professores ficavam encantados, e não apagavam os desenhos.

"Gabriela"
As mãos aguniadas com vontade de desenhar, começou a arrancar o fundo dos armários da sua casa, isso escondido da mãe, para produzir quadros e acabara destruindo todos nem o verso das portas dos armários ficavam para contar história. E assim em um estudo solitário, gostava de reproduzir tudo que via a sua frente, inclusive pegava livros de história da arte começava a reproduzir obras de grandes artistas como Miguelangelo e Leonardo DaVinci, hoje se identifica-se com o hiper-realismo, onde gosta de fazer os traços suaves e com os mínimos detalhes. Agora na atualidade produziu uma série de desenhos voltado para cultura de sua cidade que é Ilhéus a terra do romance de Jorge Amado, Gabriela cravo e canela, onde retrata de maneira singular a história contada por Jorge Amado.
"Autorretrato"
Emerson relata que seu trabalho é "Como tirar uma fotografia, quanto mais detalhes maior o encantamento das pessoas"

quinta-feira, 12 de maio de 2011

MÁRCIA ALENCAR, musicalidade


Márcia Alencar é ilheense. Começou a soltar a voz em 1998, inicialmente com voz e violão e posteriormente formou um trio, depois um quarteto e por fim uma banda.
Participou de projetos como Toque Brasileiro (TV Santa Cruz), Projeto Seis e Meia, Festival do Camarão, Fentur, Ilhéus Summer Festival, dentre outros eventos regionais como Dia da Cidade, Carnaval Cultural, Semana do meio ambiente na Maramata, Encontro de corais no Teatro Municipal de Ilhéus, São João em Olivença, reinauguração Teatro Municipal de Ilhéus, Parada Gay,  Campanha de  prevenção a  AIDS.

Márcia é eclética. No seu repertório, MPB, Bossa, Pop nacional e internacional, Rock anos 60 até o atual e Dance, para melhor atender a satisfação do público além de estar aberta a novas influências musicais.
É reconhecida como uma artista multifacetada pela originalidade que emprega na dinâmica de suas interpretações. A releitura das obras é o seu ponto forte. Tudo é muito pessoal no trabalho desta artista que traz para si tudo que interpreta. “Primo também pelo resgate de jóias preciosas do acervo musical brasileiro”, relata.
Atualmente empresta sua voz em shows no ramo hoteleiro e em eventos particulares. Compõe e escreve projetos musicais que tenham como ponto de partida  resgatar e difundir “a música brasileira de qualidade e sem fronteiras”, cumprindo assim  o seu  papel também  como agente  transformadora da  sociedade.
Contatos para eventos: 71-8875-1994/73-8804-8798(Tyla e Geni)

(Texto adaptado do site da cantora)  

terça-feira, 10 de maio de 2011

MEMÓRIAS CULTURAIS 1 - Vocês recordam?

 Chica de Cidra recebe o Troféu Jorge Amado de Cultura e Arte
 Marcelo Sá recebendo um duplo troféu
 Pawlo Cidade e o saudoso Équio Reis em debate na Câmara de Vereadores
 Sérgio Nogueira (cabeludo) afinando o baixo
 Isabella Kruschewsky recebe o Troféu Jorge Amado
Tião Brito, que passou pelo Teatro Municipal




domingo, 8 de maio de 2011

A BATALHA DOS NADADORES

 Ilustração de Bruno Santana para o livro:
"A Batalha dos Nadadores", de Pawlo Cidade

A Batalha dos Nadadores é um dos episódios mais conhecidos da história pátria. Não se podem abeberar os autores, para tratar do assunto, senão destas duas fontes: as cartas de Nóbrega e de Francisco Pires, uma outra do padre Antonio Blasquez, e o Instrumento, supra. O mais é floreio, é fantasia, romanceio e enfeite.

Declarou  Mem de Sá, conforme fica dito, que a campanha se desenrolou por "espaço de trinta dias". O padre Manoel da Nóbrega, em sua carta ao cardeal infante, fala "em menos de dois meses". Então, alvitra Rocha Pombo: "Podia ser 30 dias de lutas, e cerca de dois meses gastos na expedição". Esse historiador adorna assaz a notícia dos sucessos da guerra, mas está bem alicerçado. Mem de Sá deve ter partido para Ilhéus em maio. Achando-se Nóbrega na aldeia de São João, ao norte desta capital, no dia de São João no ano em apreço, 1559, teve a primeira notícia das vitórias do governador e, para dar graças a Deus, fez ali solene procissão com os índios.

Referem-se geralmente os autores a "guerras" feitas por Mem de Sá aos índios de Ilhéus. Erro, na começada em 1565, o governador não tomou parte. O padre Simão de Vasconcelos, tratando da matéria, não se cingiu àquelas três cartas jesuíticas. Diz, com manifesto sacrifício da verdade, serem aimorés os rebelados, levando os autores subsequentes a incluir no mesmo engano. É prolixo e derramado. Parece contaminado de macropsia ao descrever os acontecimentos: "arderem as matas por muitas léguas"; ao pugilo de homens que seguiram o governador capitulou de "exército"; os aimorés vieram atacar Mem de Sá na vila de São Jorge com tanta gente de guerra, não só da nação beligerante, como das tribos aliadas, que cobriam as praias vizinhas à povoação; e sofreram tão grande derrota, nesta ocasião, que o litoral ficou alastrado de cadáveres, e "as espumas do mar que os lavavam tornadas cor de sangue"; Mem de Sá destruiu trezentas aldeias do inimigo, forçando os que não se quiseram submeter a afastar-se sessenta léguas para o sertão; finalmente, assevera ter sido a guerra em 1560.

 Mem de Sá, 3º Governador Geral do Brasil

É, porém, aceitável isto: depois da Batalha dos Nadadores, entrou Mem de Sá na vila de São Jorge, dirigindo-se, imediatamente, à igreja de Nossa Senhora da Vitória, onde lhe rendeu graças em público pelo que lhe acabara de proporcionar, "e foi levado de todo o povo como em triunfo, por libertador de suas terras e vingador dos seus agravos".

Mas, o que motivou a guerra?

"Aconteceu que foi morto um índio, ficando o homicida impune. Então, se levantaram e mataram dois ou três brancos no caminho de Ilhéus para Porto Seguro, atacando depois uma roça perto da vila. E passando um magote deles pelo engenho São João, de certo Tomás Alegre, amedrontaram-se tanto o homem e sua gente que sem os índios lhe haverem atirado ao menos uma flecha, abandonaram em tumulto o estabelecimento.

Talvez já vingados com aqueles dois sucessos, a morte dos portugueses e a destruição da roça, os alvoroçados tupiniquins deixavam fugir com vida e teres muitos cristãos aterrorizados que topavam. Contudo, alastrou-se o pânico pelos outros três engenhos, despovoados num momento, recolhendo-se todos os seus moradores, com a escravaria à Vila de São Jorge. Tanta covardia encorajou os naturais, que arrebataram uns quantos negros do engenho São João e a este bem como aos demais, às fazendas e roças dos colonos queimaram, saquearam e talaram, indo, em seguida, cercar a sede da Capitania. De tal jeito, que ficaram reduzidos os moradores a se alimentar, exclusivamente, de laranjas dos seus quintais.

Em tão angustiosa conjuntura, bradaram por socorro ao governador Mem de Sá. Reunindo este um conselho de pessoas categorizadas da cidade, expôs-lhes o desesperado apelo dos obsidiados colonos. Diviram-se as opiniões, ficando porém assentado, por maioria de um voto, que se devia acudir à vila. A população de Salvador desgostou-se com semelhante decisão, temendo que os índios das aldeias circunvizinhas, tendo conhecimento da ausência do governador com a gente de armas que guarnecia a praça, viesse a atacá-la. Fazendo ouvidos moucos aos clamores da rua, embarcou-se Mem de Sá..."

(Fonte: Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, João Silva Campos, pp.80-7)

sábado, 7 de maio de 2011

AMANDA ANDRADE, versatilidade

Amanda Andrade

Nascida em Ilhéus, Amanda começou sua trajetória na música aos nove anos com o apoio do amigo e pai musical Robson Carvalho, cantando MPB no Bar Varanda de propriedade de sua mãe, Rita. Aos quinze começava a trilhar a vida de músico profissional e foi cantar na Banda Conexão Bahia, durante quatro anos foi vocalista de várias bandas regionais entre elas: Realce, Cores da Bahia, Nova Estação, Imagem etc. Em 1997 é lançada em Ilhéus na Praça D. Eduardo no dia 22 de dezembro na Banda Capivara Baleada, com duas vocalistas, Amanda e Lene, logo depois convidada para cantar no Espírito Santo, Lene se despede do grupo que ajudou a criar e Amanda assume sozinha o vocal da Banda Capivara Baleada. Depois de participação em vários carnavais e festas de São João a Banda muda o nome para Di Bali.

No processo natural de trabalho Amanda mantém uma vitoriosa carreira solo, cantando em vários bares da cidade (Bumba Meu Boi, Posto Brasil, Pizzaria Dom Chico, Mr. Camarão, Siri Mole, etc.) música da mais alta qualidade, participou de vários projetos Seis e Meia, do Festival de música de Una, do festival do servidor em Ilhéus quando venceu como melhor intérprete e o primeiro lugar com a música “Saudade”, participações em vários shows no Teatro Municipal, exemplo: Cio da Terra de Robson Carvalho, show em homenagem ao Dia da Mulher, Femtur, Fórum de desenvolvimento de Ilhéus, Festival do Camarão, Toque Brasileiro da TV Santa Cruz. Tem o Cd gravado do Projeto seis e meia, um de MPB.

Em 2010, Amanda recebeu o Troféu Jupará.

MAKTUB, o grupo das performances


O grupo Maktub Performances nasceu no verão de 2002, sob o comando de Fábio Nascimento, em parceria com a atriz Maria Cândida. Dois anos depois, Fábio escreveu um projeto batizado de "Ilheenses Amados" para ser apresentado no Centro Cultural Bataclan - na época dirigido por Pawlo Cidade. O Projeto apresentava a peça: "Histórias de Cabaré", escrita e dirigida pelo próprio Fábio.

A ideia central do espetáculo era dar vida aos personagens de Jorge Amado, sobretudo dos livros "Gabriela, Cravo e Canela", "Tiêta", "Terras do Sem Fim" e "São Jorge dos Ilhéus", através de performances teatrais. A proposta foi bem sucedida e até hoje o Maktub - que agora é Ong Cultural Maktub Performances - desenvolve seu trabalho em diversos lugares da região e do Brasil.

Em seguida veio a peça: “Das Matas ao Progresso” que estreiou em São Paulo, no 2º Salão de Turismo, em 2006. Depois, a Funceb - através do Calendário de Apoio a Projetos, financiou a proposta para ser apresentada em outros espaços culturais e nos distritos de Ilhéus.

Recentemente está com o espetáculo: “Homens, Ajudam Homens?” que também foi apresentada em São Paulo. Diversas atrizes e atores já passaram pelo Maktub. Entre elas, Cris Queiroz, Elane Nascimento, Nara Francine, Fabíola Hala.

Fábio Nascimento é estudante de comunicação da Uesc.

GOCA MORENO, sem palavras

Goca no Atelier
Goca Moreno nasceu no dia 8 de dezembro de 1961, em Ilhéus, Bahia, Brasil. Começou a interessar-se pelo desenho na adolescência, quando em 1972 ganhou o prêmio de desenho em homenagem ao Duque de Caxias, na semana do exercito.
Em 1980 muda-se para Salvador, onde começa a estudar artes na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, formando-se em 1986.
Durante os cinco anos de estudos, trabalhou no atelier do escultor Mario Cravo Jr., como seu auxiliar, colaborando na execução do "Cristo de Vitoria da Conquista", em 1980, no "Memorial a Cléristom Andrade", em 1983, nos "orixás" para a nova sede dos correios em Salvador e em outros trabalhos de grande e pequeno porte.
Também em 1981 participa da equipe do escultor Tati Moreno e do pintor Fernando Coelho na decoração do carnaval de Salvador. Neste ano começa a desenvolver trabalhos em xilogravuras.

De 1982 a 1986 participa de várias exposições coletivas e salões nacionais, na Bahia e em outros estados do Brasil, tendo ganho alguns prêmios.
Em 1986, depois desse período rico de aprendizado e influências, retorna a Ilhéus, onde instala seu atelier e começa a produzir suas próprias esculturas.
Neste período, trabalha intensamente em sucata de ferro, resina, pedra e madeira. A imagem do seu mestre ele experimenta tudo, toca, modela, desenha, dá forma a tudo que a matéria tem a revelar.
Ainda em 1986 desenha e executa o painel "As Bailarinas", instalado na entrada do Teatro Municipal de Ilhéus.
Nos anos de 1986 e 1987 desenhou e executou o nono e o décimo troféu "Martin Gonçalves", para os melhores do teatro baiano, a convite da TV Aratu, Salvador, e em Ilhéus no ano de 1988 o troféu "1a Mostra de Teatro Amador do Sul da Bahia", para a TV Cabralia, Itabuna.
Em 1989 ganha o prêmio " Artistas Grapiunas", Itabuna, Bahia.
Em 1992, na passagem dos 80 anos do escritor Jorge Amado em Ilhéus, executou a escultura "Gabriela" para a festa em sua homenagem, escultura esta hoje destruída.
No ano de 1994 começa a trabalhar com relevos em madeira e resina pintados, confeccionando painéis para hotéis, clínicas médicas, restaurantes, hall de edifícios e prédios públicos nas cidades de Ilhéus, Itabuna e Salvador.
Em 1997, também em homenagem ao escritor Jorge Amado pela passagem dos seus 85 anos, executou a escultura "São Jorge Oxossi Amado" para o hall de entrada da Casa Jorge Amado em Ilhéus.
A partir de 1997 inicia seus trabalhos em pintura, exprimindo as cores de sua terra e do seu carnaval. Pinturas vibrantes como seu pais, sob o sol tropical; mas nem por isso deixa de lado os materiais que sempre o cercam. Madeira, ferro, resina e pedra circulam em suas mãos ao longo dos dias seguindo o curso da sensibilidade do artista.
No final de 1997 e início de 1998 executa uma série de trabalhos em granito, paralelepípedo, pedra usada em calcetamento de ruas consorciados com metal fundido e ferroso.
Em 1998 participa de exposição em Belo Horizonte, junto com Erli Fantini, professora de escultura da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, considerada a primeira dama da cerâmica mineira.

De 1998 a 2001 desenha e executa os troféus " Jorge Amado de Cultura e Arte" para a Fundação Cultural de Ilhéus. 
Em 1998 ganha o prêmio "Jorge Amado de Cultura e Arte".
No ano seguinte, em 1999, a convite da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, executa a Fonte-Escultura para praça das Artes Cultura e Memória, Praça ACM, Quarteirão Cultural no Pelourinho, em comemoração aos festejos dos 445 anos de fundação da cidade de Salvador, Bahia.
Ainda em 1999 executa a escultura "Sereia", para a Pedra da Sereia em Ilhéus, e começa a trabalhar com aço inox.
No ano 2000, a convite da Prefeitura Municipal de Ilhéus, executa os marcos para a entrada da cidade, em aço inox e concreto, e inicia a colocação dos primeiros 100 metros de um projeto de 250 metros de grades na Rua das Oficinas em Ilhéus.

Ainda em 2000, a convite do arquiteto Rui Cores, executa os vitrôs para o painel de 430 metros quadrados, em concreto e acrílico, localizado no Centro de Convenções de Porto Seguro, Bahia, projeto feito pelo arquiteto para as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil.

No carnaval de 2001 projetou e executou a decoração para a festa inspirada no escritor Jorge Amado, confeccionando 15 bonecos do escritor com 5 metros de altura cada, além dos portais e fachadas. Possui obras em coleções particulares nos EUA, França, Suécia, Alemanha, Itália e vários estados do Brasil.
Goca Moreno continua a viver em Ilhéus, mas seu trabalho começa a se fazer notar em várias capitais do Brasil.